Não tenha medo!
A natureza não conhece afeição. O mar não se apieda de quem não o respeita. Não faz distinção de pessoas, traga a qualquer um que ignore sua força destrutiva. As águas arrastam ricos, pobres, crianças e velhos. A natureza desconhece rostos, lágrimas, expressões e afeto. A natureza não se apieda do sofrimento humano. Não pode ser aplacada por pedidos de misericórdia, orações, cultos, nem músicas. Não há encantadores de mares. Por isso e muitas culturas a natureza é cultuada. O objetivo é aplacar a face indiferente da natureza, buscando estabelecer com ela um elo afetivo, chamamo o mar de amigo, erigindo totens, fazendo oferendas às estações, ao sol, à lua… Esse medo da natureza é matriz de todo arquétipo religioso, que fica bem evidente nas religiões afro-ameríndias, no culto aos espíritos e às forças que são superiores ao ser humano, com o objetivo de estabelecer com eles uma relação que promova segurança. De acordo com a seguinte lógica: Em primeiro lugar o fiel faz a oferenda para...