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Cartas de amigos do Caminho

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Segue as cartas de irmãos que decidiram encarar a radicalidade do Evangelho com a sinceridade e a profundidade com que ele deve ser abraçado, na totalidade da sua simplicidade e a consequente perplexidade que ele gera em nós. De modo que o que se segue é a manifestação do coração de muitos em quem o Espírito de Jesus tem se instalado e aprofundado para que com coragem e a face descoberta enfrentem as trevas das pseudo-fés para chegar a tocá-Lo para além dos véus da hipocrisia. Pois é assim que Ele disse que seria para quem quisesse de fato segui-lo, no caminho entre "eu" até eu-Nele haveria sempre a necessidade da cruz, a morte do eu-sem-Ele todos os dias. A morte de relações relativas para alçar uma espiritualidade como a de Jesus. Portanto, estas são as cartas de muitos no Caminho. Eis as cartas: Como muitos que conheço, eu fui cristão...Deixei de ser, é verdade, mas minha saída não representa uma saída de Cristo uma vez que nele nunca estive. Deixei de ser cristão des...

Daniel na cova dos leões

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Outro dia me deparei com esta obra de  Briton Rivière, pintor e aquarelista neo-clássico, nascido em Londres em 14 de agosto de 1840 (Wikipédia). A obra se chama "A resposta de Daniel ao rei", é inspirada na passagem bíblica na qual Daniel é lançado na cova dos leões por ordem do rei Dário, o Medo (Daniel capítulo 6). Enfim, gostei tanto que coloquei como imagem de fundo da área de trabalho do computador. Me peguei parado diante da tela do computador por alguns minutos meditando nessa bela obra. Apesar da obra de Rivière possuir contexto próprio, percebo nela arquétipos muito vívidos do Evangelho. Sendo assim, gostaria de compartilhar minhas impressões pessoais da obra à luz de algumas compreensões do Evangelho. O primeiro aspecto que me chama atenção na obra é a centralidade da luz , todos os demais elementos da pintura reagem a ela. A luz é o centro da obra. Nem Daniel, nem os leões ou o espaço, a luz é elemento organizador do universo da obra. Daniel está com os ol...

Jesus é insuportável!

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"Que farei de Jesus, que é chamado de Messias?", esta é a pergunta de Pilatos à multidão de judeus que entregara Jesus de Nazaré ao então governador da Judeia. De modo que ele deveria escolher entre a vida de um homem sabidamente inocente à arcar com as implicações de uma possível revolta popular de cunho político-religioso, que naquele momento, às vésperas da Páscoa, com as ruas de Jerusalém apinhadas de gente, aspirações nacionalistas à flor da pele por parte dos judeus, se configuraria, provavelmente, num banho de sangue. Quando lemos a narrativa de Mateus quase que se pode ouvir o som dos passos frenéticos nas ruas apertadas da cidade, os comerciantes e o cheiro de revolta no ar. Pilatos cede à pressão popular orquestrada pelos líderes religiosos judaicos temendo um mal maior. Entrega Jesus para ser crucificado. Lava as mãos. Resguarda a si mesmo, sua posição, seus interesses sublimados na imensidão das complexidades políticas e religiosas que envolviam a situação, ape...

JOSÉ

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Gratidão

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“ Em tudo daí graças, porquanto essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco .”  (1 Ts 1.18)  Ser grato é ser cheio de graça. Uma pessoa grata é aquela que anda cheia de graça. É graciosa. De modo que a gratidão independe de motivos, não é uma consequência, é a natureza do ser em Cristo. Ser grato não tem a ver com ventos favoráveis. Tampouco tem a ver com o que se tem. Mas, com o que se é. Grato, ou você é ou não. Todo filho de Deus é Cristo e Cristo é graça encarnada. Pois essa é a natureza que herdamos em Cristo, o DNA da graça. E graça é dom, presente, dádiva. Gente grata é gente que carrega em si presentes para serem entregues para quem quer que seja nos encontros mais fortuitos e nos esperados também. É, portanto, gente generosa que vive compartilhando o que na graça recebeu de graça. A gratidão enxerga o mundo como alvo de amor. Gratidão é um bom olhar para a vida. Gratidão é característica de gente madura, pois, só gente amadurecida carrega em si ma...

Maria

José

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José é aquele que manifesta a justa justiça. Pois, abriu mão de todo direito e entregou tudo o que tinha para resguardar sua Noiva (esposa) e proteger o Filho. Tornou-se pai, não por direito, mas por amor. Tornou-se pai como o Pai, pois o Pai é aquele que entrega tudo o que tem por amor aos filhos, doa da própria vida para que a esposa seja guardada e os filhos cresçam em segurança. O Pai e o pai não são vistos, quase nunca reconhecidos, mas seu amor pode ser verificado na beleza da Noiva e na alegria do Filho e dos filhos que Dele  e dele, tudo recebem de graça. Nisto consiste a justa justiça. A Igreja é como José, pais como o Pai, que abrem mão, entregam tudo o que possuem, até a própria vida para resguardar a Noiva e fazer crescer os filhos em segurança. De modo que a Igreja é constituída de filhos, mas tem por objetivo uma comunidade de pais. Que como José, caminham com a revelação de Deus arraigada no mais profundo do ser. Mateus 1:19-20