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o Deus que ouve

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Permita-me recordar onde paramos... (Gen 21) Ainda bem cedo, Abraão desperta Agar e seu filho, dá-lhe um odre com água e pão. Coloca o menino nos ombros de Agar e a manda embora. O sol não nascera ainda.  Agar, imersa em perplexidade e absurdo caminha sem direção pelo deserto de Berseba sem condição de responder ás perguntas do menino que pediam por pequenas certezas. O medo que já se instalara no coração de Agar, podia ser percebido no passo apressado e empoeirado do menino na tentativa de acompanhar a caminhada apressada da mãe. Há pressa não em chegar, mas em fugir da perplexidade. A certa altura acabam a água e o pão, bem como suas forças e as do menino. Ela já não consegue dar esperança a seu filho, entra em desespero, o menino se assusta, jamais vira sua mãe assim. A criança chora, sem ao certo saber por que. A mãe sabe que todos seus recursos se foram. Agar toma o menino, sem olhá-lo nos olhos, o coloca sob um arbusto, vira as costas e começa a caminhar sob o olhar consterna...

o colapso da fé no "deus que vê"

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Aproximadamente 14 aos após o encontro de Agar com o Senhor, encontro no qual ela concebeu para si mesma um "deus que vê", Abrão dá uma festa para seu filho recém nascido Isaque, Sara observa que Ismael caçoa de Isaque e se dá conta de que o filho da escrava Agar haveria de herdar junto como Isaque, diante disso ela manda a Abrão que mande embora a serva com seu filho, para que não viesse a partilhar da herança de Isaque. Diante disso Abrão se sente extremamente condoído pela situação, "afinal era seu filho", no entanto, o Senhor lhe comunica que não deveria ver isso como mau, mas que atendesse o pedido de Sara. No outro dia de madrugada, Abrão toma o menino, prepara um odre com água e pão e os entrega a Agar e a despede. Ela sai andando errante pelo deserto de Berseba. Obviamente que ao ser despedida por Abrão todas as suas expectativas quanto a sua vida e a vida de seu filho ruíram. Pois Agar se alimentara por 14 anos da promessa de que seu filho seria uma gr...

a fé das nossas projeções

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No livro do Gênesis, capítulo 16 é narrada a história de Agar, serva de Abraão,  a qual resumo agora: Deus fizera a Abraão promessa de que a partir dele se ergueria uma grande nação. O que seria assegurado pelo nascimento de um filho. Contudo, o tempo passara e o filho prometido não vinha. Sarai era estéril. Diante disso, Sarai propõe a Abraão que tome sua serva Agar e que se deite com ela para que, em nascendo um filho a promessa de Deus pudesse ser cumprida. Da escrava nasce um filho. E não demora para que problemas surjam entre Sarai e a Agar, que após uma vida de servidão e complexos de inferioridade, percebe no filho a oportunidade de afirmar-se socialmente na família de Abraão. A tensão cresce, a ponto de Agar fugir de casa com seu filho por conta dos maus tratos de Sarai. Em meio à fuga, o anjo do Senhor aparece a Agar e diz a ela para que volte à casa de Abraão e se submeta á mão de Sarai. Diz ainda que ela está grávida e que seu filho seria um homem valoroso que se estab...

Quando Deus muda de casa...

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A chegada do Reino revela as contradições das estruturas e posturas humanas frente à Verdade, na linguagem de Simeão, o servo do templo que tomou Jesus, infante, nos braços que disse: "esse menino será um sinal de contradição em Israel".  Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”.Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: “Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele”. As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. "Naqueles dias..." que dias eram esses? No que se refere ao contexto imediato, se trata dos dias em que José e sua família estavam em Nazaré, num contexto mais amplo, "naqueles dias" implica num olhar para um ...

Como ovelhas sem pastor - fariseus e escribas

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No texto anterior, "Como ovelhas sem pastor", começamos a estudar a narrativa de Mateus 9:35 - 38:   35 “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.  36 E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.  37 Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.  38 Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara.” Falamos de como Jesus olhava para as multidões com compaixão porque estavam como ovelhas sem pastor, e paramos para pensar de como a situação "ovelhas sem pastor" naquela situação era, não só, contraditória, mas como também é uma denúncia implícita à estrutura religiosa da época posto que o que mais havia em Israel no tempo de Jesus eram "pastores". o Senhor olhou para as multidões com c...

Como ovelhas sem pastor

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Mateus 9:35 - 38   35 “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.  36 E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.  37 Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.  38 Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara.” Jesus está no início de seu ministério, percorrendo as imediações de Cafarnaum, na Galiléia. Lugar de gente simples,  de pessoas marginalizadas pelos líderes de Israel pelo fato de que aquela região não significava absolutamente nada no que tange à história religiosa do país, diferentemente da Judéia. A pergunta retórica de Natanael a Felipe demonstra bem qual a imagem que se tinha da região e de suas pessoas : “e pode vir algo bom de Nazaré?”. (João 1.46) Jesus percorria as a...

Dons: Manifestações da Graça III

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" Ora, há diversidades de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações ( energema - ações) , mas o Senhor é o mesmo. A manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil ( sumpheron )." I Coríntios 12.5-7) Vimos anteriormente os perigos de uma espiritualidade condicionadas às formas paganizadas de relacionamento com Deus. E como nossas igrejas estão saturadas deste espírito doentio do 'show da fé' em suas práticas eclesiásticas. Pessoas que pensão que os dons são um mérito, uma posse para suas próprias realizações e autoconstruções espirituais. Todavia, vejamos para que de fato o Senhor em sua perfeita sabedoria deu dons aos homens. Paulo afirma que o Altíssimo tem um projeto, qual é o projeto de Deus? Sim, a restauração de todas as cosias criadas, visíveis e invisíveis, tronos soberanias, principados, pois todas as coisas são para Ele, criadas por Ele e sustentadas Nele...